Celibato: Por que não?

Você que é solteiro(a) já pensou em ser celibatário(a)? Ainda não? Está bem, já entendi.  Em pleno século XXI, muitas pessoas ainda não tiveram a oportunidade de fazer para si mesmas essa pergunta, e algumas por não saber do que se trata.

E por que não?

Muitas famílias, e até famílias cristãs e a sociedade em geral, não preparam as crianças e adolescentes para que ao chegar à juventude, tenham condições de perguntar para si mesmas e discernir em qual estado de vida que se sentirá realizado em sua vocação. A maior parte das famílias preparam seus filhos para viver seu estado de vida dentro do sacramento do matrimônio, outras mergulhadas na mentalidade secularizada que está tomando conta de parte de nossa sociedade, não dispõem de condições que lhes possibilitem orientar seus filhos a se encontrarem, nem dentro do estado de vida ao celibato, e nem dentro do estado de vida ao sacramento do matrimônio.

E o que é o celibato? Vamos refletir um pouco?

Celibato é o estado de vida em que uma determinada pessoa, homem ou mulher, sentindo-se chamada por Deus a viver uma entrega maior de si mesma para o serviço do seu Reino, com liberdade, renuncia ao sacramento do matrimônio para viver uma íntima relação amorosa esponsal com Jesus.

Toda igreja, pela graça do sacramento do batismo, é esposa de Cristo que aguarda a união com seu esposo. Todos os filhos da igreja são chamados a militar aqui na terra, preparando-se para um casamento que acontecerá lá no céu. O celibatário sentindo o apelo de Deus e um ardoroso amor inflamar sua alma, antecipa já aqui nesta terra, esta realidade esponsal que todos nós vamos viver no céu. Sentindo-se profundamente amado por Deus, deseja ardentemente corresponder a esse amor.

O celibatário renuncia ao sacramento do matrimonio não por não ter achado a pessoa certa; porque não é bom; porque não quer se comprometer; se decepcionou em seus relacionamentos; não quer ter filhos. Não. Tanto o sacramento do matrimônio quanto o estado de vida ao celibato tem a mesma dignidade e o mesmo querer de Deus. Os celibatários são como nos ensina o Catecismo da Igreja (nº 1579), “Chamados a se consagrarem com indiviso coração ao Senhor e a “cuidar das coisas do Senhor”, entregam-se inteiramente a Deus e aos homens. O celibatário é um sinal desta “nova vida”, vivem como celibatários e querem guardar o celibato “por causa do Reino dos Céus” (Mt 19,12). Ao passo que o celibatário vai se configurando a Jesus, que se entregou totalmente ao Pai por amor a nós, esse amor torna-se fecundo em toda dimensão de seu ser gerando vida, não no sentido físico, mas sim no sentido espiritual, gera a vida, a presença de Jesus nas almas.

A vida celibatária não é uma vida de solidão, ao contrário é uma vida povoada pela certeza da presença de Deus em cada instante da caminhada. Viver a vida celibatária é experimentar o cumprimento da promessa de Jesus que nos ensina em seu evangelho, “todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá (com perseguição) o cêntuplo e possuirá a vida eterna” (Mt 19,29).

Queridos pais, não tenham medo de apresentar a forma de vida ao celibato a seus filhos. Queridos jovens sentindo esse apelo do Senhor em sua vida, não tenham medo de dar uma resposta generosa ao Senhor. Sê firme e corajoso! Celibato: Porque não?

Cleunice Custódio Eleutério – Missionária da Comunidade Católica Presença

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