O Evangelho da Missa lembra-nos uma das parábolas mais dramáticas de Jesus. Mostra o que existe de escuro no coração do homem. A imagem da vinha recorda o Antigo Testamento e, de uma forma muito particular, o quinto capítulo do livro de Isaías. A vinha é Israel, o povo sobre o qual Deus derramou o seu amor e os seus dons de forma tão especial. A vinha fala-nos de cuidado, fruto, vida. Jesus tentou, pela sua pregação e pelas suas obras, fazer-nos compreender o amor sem medida de Deus Pai por nós: um amor fiel que nunca se retira, nem mesmo quando é rejeitado.
A parábola do Senhor fala-nos de pessoas que rejeitaram o amor de Deus e perverteram o depósito que foi colocado em suas mãos. Mais uma vez a ingratidão, o orgulho e a ganância dão origem à destruição e à morte.
Uma cegueira, algo irracional, poderia levar-nos a pensar que temos nossas coisas por mérito nosso: que ninguém nos deu nada. Um coração endurecido poderia considerar o resto da criação em função do seu próprio benefício. Uma coisa é tão triste como a outra: O que tens que não tenhas recebido? Mas, se recebeste tudo que tens, por que, então, te glorias, como se não o tivesses recebido? (1 Co 4,7); Que ninguém prejudique ou engane seu irmão (1 Ts 4,6).
Os frutos provêm da gratidão e do amor humilde. Somos criaturas, e Deus quis que nós participássemos no cuidado e governo do que saiu das suas mãos, de toda a criação. Mas de uma forma muito particular das pessoas e, entre elas, com um compromisso especial, daqueles que partilham a nossa fé. A consequência lógica é clara: aceitar os dons de Deus com humildade, colocar-nos a serviço dos outros, ser conscientes de que somos portadores do Evangelho para que todos possam conhecer o amor de Deus por eles e saber a que Ele chama-nos. Tudo isto só é possível se aceitarmos Cristo, a pedra angular, porque só Ele é capaz de iluminar todo o nosso ser, de nos fazer experimentar o amor do Pai em plenitude, e de ver todos como amados do Pai.
Fonte: Opus Dei



