No dia 23 de Novembro deste ano, o então Venerável Padre Donizetti Tavares de Lima foi beatificado pelo cardeal Becciu, Prefeito para Congregação das Causas dos Santos, em nome do sumo pontíficie, o santo padre, Papa Francisco, na cidade de Tambaú-SP, pertencente à Diocese de São João da Boa Vista-SP.

Confira algumas fotos do Evento:

https://www.facebook.com/pg/comunidadepresenca/photos/?tab=album&album_id=2697541930292837

Deus te abençoe!

Um verdadeiro pastor “com cheiro das ovelhas” como gosta de dizer o Santo Padre: com estas palavras o cardeal Angelo Becciu, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, apresentou o novo Beato na homilia para a cerimônia em Tambaú, Brasil. (Roberta Barbi – Cidade do Vaticano).

 

Bom Pastor, zeloso ministro de Deus, precursor dos direitos do homem: são muitas as faces do “fecundo ministério sacerdotal centrado na oração, no trabalho apostólico, no sofrimento até o dom total de si”, de padre Donetti Tavares de Lima, que o cardeal Angelo Becciu destaca em sua homilia na cerimônia de beatificação que se realiza em Tambaú, Brasil, onde o sacerdote foi pároco de Santo Antônio de 1926 até sua morte em 1961.

Atenção aos problemas da família

É amor a Deus e ao próximo orientar as ações do padre Donetti, que sempre dedicou atenção aos problemas da família: “Procurava prover em todos os casos de pobreza com remédios, alimentos e roupas; construiu uma estrutura para cuidar dos necessitados, um abrigo para pacientes com tuberculose, uma mercearia de baixo custo – recordou o cardeal – iniciou os jovens no estudo, educando aqueles que não podiam frequentar escolas públicas por causa da pobreza de suas famílias”. Eram os problemas de seu povo, que considerava sua família, sem olhar para a cor da pele, cultura, fé: “Ninguém era excluído de sua atenção”, sublinha.

“Precursor dos direitos do homem contra a desenfreada corrida imposta pelos interesses econômicos – acrescenta – sempre em defesa da justiça social, defendeu os pobres, os doentes e os trabalhadores e denunciou sem medo os abusos e as irregularidades que ocorriam na sociedade na época, buscando  ao mesmo tempo conciliar as partes em conflito.

Pregava abertamente em defesa dos necessitados, bem como em favor da abolição da escravidão e a promoção humana e cristã dos marginalizados”.

 

 

A oração como fonte inesgotável de energia

Uma missão vasta e extraordinária como a do padre Donizetti tem um segredo: a oração. “Ele tinha uma devoção filial a Nossa Senhora, venerada como Nossa Senhora Aparecida”, continua o cardeal, enfatizando que essa veneração é muito difundida entre os fiéis brasileiros.

“A esperança no prêmio eterno tão profundamente enraizada em sua alma, que o tornava sempre pronto a enfrentar as provações diárias com calma, serenidade e abandono à vontade divina – disse ainda o cardeal – uma figura exemplar de sacerdote, completa do ponto de vista humano, espiritual e social que se distinguiu em viver em plenitude o Evangelho plenamente”.

Padre Donizetti considerava-se como o último dos sacerdotes, padre Donizetti, enquanto vivia a doutrina social da Igreja com coerência e determinação. Ele constitui assim “um encorajamento para nós, pastores de almas, para  dedicar a nossa vida totalmente ao ministério, um modelo de discernimento vocacional que nos leve a ser luz e sal da terra”.

 

Exemplo de “Evangelho vivo” para religiosos e leigos

O testemunho integral de um homem cristão de padre Donetti, “discípulo de Jesus em constante caminho”, tem grande valor para religiosos e leigos. “Trata-se de se envolver corajosamente nas diversas esferas culturais, sociais e políticas, implementando a doutrina social da Igreja e levando a mensagem vivificante do Evangelho com um comportamento propositivo e em uma perspectiva de colaboração e diálogo aberto com as várias instâncias”.

Um exemplo, portanto, de “Evangelho vivo”, totalmente dedicado ao serviço de Deus, poderão ser os sacerdotes se, “a exemplo do padre Donizetti, a cada dia encontrarem na oração a fonte do seu sacerdócio”.

Mas a beatificação do padre Donizetti, segundo o cardeal, também pode ser para os leigos “uma oportunidade frutífera de renovação espiritual e zelo missionário, especialmente para esta comunidade diocesana”.

“Famílias e jovens, vocês são convidados a olhar com simpatia para o novo Beato em um momento de perda dos verdadeiros valores, e olhando para ele, façam vosso seu claro testemunho de fé, com a coerência das escolhas de vida inspiradas no Evangelho”.

 

FONTE: https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2019-11/padre-donizetti-beatificacao-brasil-homilia-cardeal-becciu.html

A santidade de Jesus de Nazaré é um odor suave que se espalha por toda a Igreja. Ao longo da história muitos homens e mulheres nos mais variados estados de vida e situações sociais, buscaram viver com intensidade as virtudes cristãs, por esse motivo se tornaram exemplos de virtude para outros, que querem levar o seguimento de Jesus a sério.

Quando se fala de santos e santas, existe uma tendência de pensarmos na Europa ou no Oriente, lugares mais antigos que nossa América do Sul. É uma realidade bastante nova na Igreja Latino-Americana, que nasceu no pontificado do Papa João Paulo II, de termos os nossos Santos Locais. Quanto mais perto de nós chega a realidade da santidade, mais nós deveríamos nos entusiasmar para também vivermos o caminho das bem-aventuranças.

Como padre diocesano partilho uma grande alegria, agora posso dizer que tenho um irmão de presbitério: Santo.  Cada um dos presbíteros mediante a imposição das mãos e a oração de consagração, passa a fazer parte de um corpo presbiteral. Em 1.960 quando foi criada a Diocese de São João da Boa Vista, foi definido o nosso presbitério e entre os padres, estava o Venerável Pe. Donizetti Tavares de Lima. O modo como esse padre viveu seu ministério, por meio do apostolado da acolhida aos pobres e aos doentes, e ainda despertando nos fiéis a devoção à Nossa Senhora Aparecida, gerou um clima favorável para o desenvolvimento de prodígios que superam a explicação natural, e nos levam a ver a intervenção divina na história.

O que mais alegra saber é que esse padre santo, não está distante, ele é do nosso presbitério, trabalhou em paróquias que também eu já trabalhei. A santidade está próxima de nós.

Pela vida do padre Donizetti nós damos graças a Deus, pedimos que suas virtudes inspirem nossa diocese para que mais e mais pessoas descubram o caminho da santidade. Por fim, roguemos ao Pe. Donizetti para que abençoe todas as iniciativas pastorais de nossa Igreja Particular de São João da Boa Vista.

 

Pe. Luis Fernando da Silva

Coordenador Diocesano de Pastoral

Diretor espiritual da Comunidade Católica Presença 

 

Para qualquer cristão a santidade é uma vocação. Ser santo é de fato uma exigência natural de cada um que se faz batizado e, portanto, filho de Deus. Já nos afirmava o próprio Deus que devemos ser santos como Ele é Santo. A santidade é igualmente um caminho traçado com flores e com dores. Ela faz o cristão pertencer ao céu, donde é a casa por excelência e a causa final da família do Senhor, lá todos nós nos dirigimos, lá um dia todos chegaremos.

Se Deus é Santo, então qualquer pessoa cristã é alguém que participa desta santidade quando vive em conformidade e imitação de virtudes e de dons que o Senhor gratuitamente presentou no batismo. Assim, tem-se que todo santo é um reflexo do amor de Deus no meio da humanidade.

O Venerável Donizetti Tavares de Lima foi um desses reflexos da santidade de Deus durante sua vida nesta terra e, agora, permanece no céu como fiel intercessor. Ele viveu sua vida como sacerdote, pois o Senhor o fez pastor de ovelhas, como modelo para o rebanho. Homem humilde e simples, de coração generoso e misericordioso, não cessou de fazer o bem. Foi alguém que, olhando o Homem das dores, viveu e carregou sua cruz na fé e na santidade de vida. Pôde pela sua altivez de espírito deixar uma marca de acolhida aos mais pobres e indefesos e mostrou a todos como a vida deveria ser vivida na apostolicidade da acolhida ao irmão.

O futuro bem-aventurado Donizetti foi um Padre diocesano, um sacerdote de Paróquia. Viveu seu pastoreio dentre tantos lugares, especialmente em Tambaú, onde foram manifestados seus poderes taumatúrgicos e a ele acorriam multidões em busca das bençãos de Deus, que ele dispensava por intercessão de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a quem tinha grande amor, devoção e fé.

É, por isso, que o venerável Donizetti é um exemplo a ser seguido pelos presbíteros; ele é uma seta para Cristo, que é a vida eterna. Com a sua beatificação a Igreja se enriquece por este homem que tem muito a ensinar aos pastores de almas de hoje e de amanhã.

Sendo modelo de virtudes sacerdotais, o venerável Padre é para todo o clero diocesano, especialmente o de São João da Boa Vista, uma luz, um exemplo. Nisto quer se afirmar que para toda nossa Formação Presbiteral, especialmente de nossa Diocese, ele é um grande testemunho e um grande servo da caridade. Se torna para cada Padre diocesano um baluarte por ter doado sua vida à Cristo e aos irmãos. O Padre Donizetti se apresenta aos seminaristas de hoje como modelo de pastor, pois viveu como alter Christi – outro Cristo.

No intuito de salientar os aspectos da vida presbiteral do Padre Donizetti e da Formação Presbiteral atual, explicitaremos de modo geral como é composta as Dimensões Formativas e o que o venerável Padre contribui com sua vida na dinâmica de cada uma delas. Comecemos dizendo que durante a Formação Sacerdotal de um seminarista, são contempladas cinco dimensões que se casam entre si, mas possuem particular definição e são essenciais para a vocação sacerdotal. Assim,

  1. Na Dimensão Comunitária o Padre é exortado a viver em comunhão fraterna com seus iguais pelo Sacramento da Ordem. O Sacerdote tem um presbitério do qual pertence e dá sentido à sua vocação. Ele não vive sem a dimensão do outro. O Padre precisa saber conviver com as diferenças de dons e de pessoas. Por isso, não existe Padre que viva sozinho seu ministério. Nesta dimensão também está presente a relação filial com o bispo diocesano, que é pai e pastor.
    1. Na sua santidade, como viveu o Venerável Donizetti a Dimensão Comunitária: Padre Donizetti foi alguém muito obediente. Sempre esteve em comunhão com a Igreja, com o bispo e seus irmãos Padres. Soube viver em comunidade, pois era um homem simples e humilde. Colocou seus dons em favor dos outros e manteve firme sua postura de sacerdote zeloso e amoroso no ministério. Foi servidor e não pensava em si, mas no bem do próximo. Ele viveu a causa do Reino de Deus descobrindo no irmão a face de Cristo.
    2. O que Padre Donizetti contribui para a Formação Presbiteral: ele ensina que o irmão tem um rosto para ser olhado, cuidado e identificado. Além disso, aponta para cada formando que estar e viver entre os irmãos não é uma opção de vida, mas uma vocação, que implícita, está no ministério sacerdotal. O irmão mais próximo do sacerdote é o seu irmão no presbitério.
  2. Na Dimensão Pastoral o Padre é ensinado a amar as ovelhas; a cuidar das mais doentes no corpo e na alma. Ele é chamado a ter os mesmos sentimentos de Cristo Jesus. Um pastor de almas, assim é o Padre, pois conduz seus filhos gerados na sua paternidade espiritual à família que pertence à Deus. O Padre é o pastor. Ele educa, ama, serve o rebanho. Ele não usa das ovelhas, mas as cuida como a si mesmo. O Padre diocesano tem esta dimensão como também vital à sua vocação. Ele é especificamente um Padre de aldeia ou de Paróquia, por isso ele conduz o rebanho às pastagens seguras pelos Sacramentos celebrados e distribuídos, pelas celebrações, atendimentos e misericórdia.
    1. Na sua santidade, como viveu o Venerável Donizetti a Dimensão Pastoral: Padre Donizetti amava suas ovelhas. Distribui-lhes bençãos sob a intercessão de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e acolhia todos que buscavam a Igreja ou batiam na porta de sua casa paroquial. Ele foi o homem do lava-pés, isto é, que soube acolher as debilidades físicas e espirituais de muitos homens e mulheres que buscavam sentido de seu sofrimento em Cristo. Assim, Padre Donizetti como pastor e preocupado com o bem do rebanho procurou erigir locais que acolhessem as mais débeis. Erigiu, portanto, Asilo, Creche, Associação e outras atividades que promovessem a vida e a saúde dos paroquianos. Não dava só atenção aos de perto, mas também às pessoas que vinham de longe. Tinha sempre uma palavra de conforto e consolação. Oferecia do que tinha e promovia a comunhão entre os paroquianos. Nunca aceitou que se fizesse diferença entre as pessoas, todos eram iguais a seus olhos. Sua pastoral foi direcionada aos mais humildes, de modo especial. Fez muitos milagres no amor e por amor; jamais arrogou a si qualquer graça, mas à Deus e a querida mãe de Aparecida, a Senhora dos sacerdotes.
    2. O que Padre Donizetti contribui para a Formação Presbiteral: para aqueles que hoje caminham rumo ao sacerdócio, Padre Donizetti deixa um legado de cuidados e zelo pelos irmãos. A figura do sacerdote é a de Cristo que se dá por amor. Hoje, vivendo em ambientes egoístas e de poucos cuidados com a pessoa, o venerável Donizetti instrui aos futuros presbíteros serem abertos, atentos, amorosos e disponíveis na pastoral.
  3. Na Dimensão Espiritual o Padre é aquele chamado a ser médico de almas. O que sustenta a vida de um presbítero é sua dimensão espiritual, seu relacionamento íntimo com o próprio Deus, sua oração, a Eucaristia cotidiana, o sacramento da penitência participado com assiduidade, a Direção Espiritual constante, a oração silenciosa e diária aos pés do sacrário, a devoção à Virgem Maria e aos santos. A Dimensão Espiritual faz do presbítero ser o homem de Deus.
    1. Na sua santidade, como viveu o Venerável Donizetti a Dimensão Espiritual: foi um homem de muita fé; trabalhou incansavelmente pelo sustento eucarístico do povo de Deus, o que fazia com que celebrasse diariamente a Eucaristia e a tornasse centro vital da vida dos paroquianos. Na vida do futuro bem-aventurado não houve pausas para conceder bençãos. Seu dom taumatúrgico, porque dom espiritual, tornou-o um sinal divino e muito procurado. Sua oração transformou-se em missão. O Venerável Padre tinha em sua cabeceira da cama um livro da vida de São Pio de Pietrelcina e mantinha uma devoção firme à Senhora de Aparecida, que o ajudava com sua intercessão e seu alento maternal.
    2. O que Padre Donizetti contribui para a Formação Presbiteral: ele deixou seu testemunho de que faz parte da vida espiritual do padre ter o hábito de leituras espirituais; de que a celebração eucarística deve ser o centro de tudo o que o sacerdote é e faz; de que a fidelidade à Liturgia das Horas molda o presbítero e o faz possuir um coração de carne segundo o Coração de Jesus; ensina que é o Espírito Santo que concede a pedagogia do amor e do serviço e, por isso, necessário se faz escutar Deus no silêncio e no recolhimento da oração. O venerável Donizetti ainda ensina que é preciso ser sempre discípulo, alguém que se coloca a escutar Jesus e aprender Dele como se procede um pastor.
  4. Na Dimensão Humano-Afetiva o Padre é um homem exortado a conhecer a humanidade, ser misericordioso e atento às necessidades e às fragilidades dos outros. Ele deve ser um especialista em humanidade. O Padre na sua humildade, reconhece que ele mesmo não deixa de ser homem, mas que deve procurar transcender a natureza e viver na graça. E a graça supõe a natureza. Por isso, precisa trabalhar seus afetos desordenados e estranhos. Nesta Dimensão o Padre aprende a olhar para si, a perceber-se nos seus limites e nas suas fortalezas, a conhecer suas virtudes e capacidades, a escutar com diligência seu próprio coração e consciência para agir justamente consigo e os demais.
    1. Na sua santidade, como viveu o Venerável Donizetti a Dimensão Humano-Afetiva: era homem de grande coração. Não se permitia ser elogiado além daquilo que fosse real. Tanto se conhecia que demonstrou com sabedoria e transparência a vivência do seu celibato e uso dos bens. Converteu os mesmos bens, que porventura ganhava de muitos, aos pobres e enfermos e crianças. Seu olhar mantinha-se naqueles que apresentavam maiores dificuldades. O Venerável Padre era conhecedor da miséria humana e lidava com humanidade, equilíbrio, alegria e espírito de despojamento. Ele se conhecia a si mesmo, porque permanecia aberto.
    2. O que Padre Donizetti contribui para a Formação Presbiteral: que todo vocacionado deve ter vida centrada na vocação a que foi chamado; deve ser fiel em pensamento, na palavra e na ação. Deve contribuir para fortalecer-se no caminho objetivado pelo próprio Senhor do rebanho, porém não se esquecendo de que é um homem, não é perfeito. O Padre não deve se desviar nem para a direita e nem para a esquerda, mas manter os olhos fixos na humanidade e divindade de Cristo, que ajuda a ser homem de verdade e por inteiro. Ensina ainda que o Padre é Padre em toda e qualquer circunstância e lugares.
  5. Na Dimensão Intelectual o Padre é convocado a ser autodidata. Deve ser um homem que nunca pára de estudar, sejam as Sagradas Escrituras, sejam as ciências necessárias para a boa aprendizagem. Nesta dimensão estão alguns dons especiais que precisam ser desenvolvidos: a ciência, a inteligência e a sabedoria. A ciência para conhecer mais, a inteligência para guardar o que se aprende e internalizar e a sabedoria para degustar o que se aprendeu. O sacerdote deve conhecer as atualidades para dar respostas ao mundo, segundo Deus. O estudo faz parte da vida presbiteral, por isso, a leitura, os cursos, as atualizações, entre outros, auxiliam no seu desenvolvimento intelectual. Assim pode-se dizer que um Padre é homem de coração e de cabeça: ele deve sentir a realidade e saber interpretá-la com a fé e a razão, por isso estuda Filosofia e Teologia.
    1. Na sua santidade, como viveu o Venerável Donizetti a Dimensão Intelectual: era um homem que se mantinha atualizado com a realidade, principalmente aquelas que levavam as pessoas a serem justas. Fazia suas leituras, anotações e, procurava em suas homilias bem preparadas, levar o povo a fazer uma reflexão sobre a sua história e a sociedade. Mas não somente o povo mais simples era convidado a intuir sua real história, mas principalmente os grandes da sociedade. Padre Donizetti era alguém muito inteligente e não se deixava levar pelas atitudes dos que menosprezavam os pobres e pensavam somente em si mesmos; ele enfrentava com a palavra e o exemplo os maus hábitos e costumes dos governantes que estavam fora da justiça social. É possível perceber que partindo desta preocupação com a vida social das pessoas, o venerável Donizetti usou de seus dons e inteligência para criar meios que pudessem acolher aqueles que não tinham nem voz e nem vez. Tudo o que fez, fez pensando no bem-estar dos seus paroquianos. Era uma pessoa bem informada que, quando questionado sobre algum assunto, sabia dialogar com sabedoria e mansidão.
    2. O que Padre Donizetti contribui para a Formação Presbiteral: em tudo o futuro bem-aventurado contribui para os futuros presbíteros, porém sobre o prisma desta dimensão, ele aponta uma necessidade que jamais pode ser esquecida pelos sacerdotes de agora: o estudo é necessário. Não é só a oração, mas o manter-se atualizado no conhecimento das ciências faz do padre um homem que consegue dialogar com o mundo e transformá-lo com prudência e sabedoria e, acima de tudo, dando testemunho do que fala e faz.

Por fim, temos entre nós alguém que deixou um testamento de virtudes e testemunhos para os sacerdotes de agora e do futuro. Na pessoa do Padre Donizetti se conclui que todo Padre deve ter uma relação de filho com a Virgem Maria; todo sacerdote deve ser mariano pelo seu ministério e pelo seu amor e respeito à Mãe de Deus. O fato de ter Maria como intercessora faz do Padre alguém terno, brando e paternal. No futuro bem-aventurado, portanto, verifica-se que as dimensões da formação presbiteral estão todas muito claras e distintas e que tem na Virgem de Aparecida a ajuda para vivenciá-las e conformá-las ao Cristo. Maria aponta para Jesus, por isso, que nossos sacerdotes sejam santos e tenham os mesmos sentimentos de Cristo Jesus na intercessão amorosa e maternal de Maria, a Senhora da Conceição Aparecida.

 

 

 

Pe. Richard Strazza da Silva

Reitor do Seminário Diocesano São João Maria Vianney

Diocese de São João da Boa Vista – SP