Uma vida a serviço da Igreja e do Papa. O cardeal Achille Silvestrini, prefeito emérito da Congregação para as Igrejas Orientais faleceu nesta quinta-feira (29) em Roma aos 95 anos.

Dedicado às pessoas, e principalmente aos jovens, mais do que a documentos, durante muitas décadas cumpriu com escrúpulo e rigor encargos diplomáticos para a Santa Sé. Foi estreito colaborador dos secretários de Estado Domenico Tardini e Amleto Giovanni Cicognani, acompanhava o arcebispo Agostino Casaroli no período da “Ostpolitik” (relações da Alemanha Oriental com os países ocidentais) e guiava negociações com as autoridades italianas para a revisão do Tratado de Latrão.

O cardeal Achille Silvestrini, nasceu em Brisighella na Toscana, em 25 de outubro de 1923, aos 19 anos entrou no Seminário Diocesano. Em 1948 em Roma, inscreveu-se no Pontifício Seminário para os estudos jurídicos de Santo Apolinário e frequentou a Pontifícia Universidade Lateranense para entrar no Serviço Diplomático da Sessão de Assuntos Eclesiásticos extraordinários da Secretaria de Estado.

Nova composição do Colégio Cardinalício

O cardeal Achille Silvestrini não era eleitor. Com a sua morte o Colégio Cardinalício fica composto por 215 cardeais dos quais 118 eleitores num eventual conclave e 97 não eleitores.

Não sei quando foi instituído no Brasil o mês de agosto como mês vocacional, mas, sem dúvida, foi uma iniciativa maravilhosa, como também o foi a da Campanha da Fraternidade. Necessitamos rezar pelas vocações, mas é muito mais urgente sermos um sinal vivo da alegria da vocação.

Nestes dias, pensava comigo mesmo “há uma vocação mais importante e uma menos importante?” Não foi necessário fazer uma larga e longa pesquisa e nem incomodar o doutor Google, para dar uma resposta a esta pergunta. Todas as vocações são importantes da mesma maneira. Quem dá importância à vocação é a pessoa humana que a recebe e a assume com amor, vivendo sua vida a serviço de Deus e dos outros.

A sublimidade da vocação é a força com que se vive, o amor com que se serve. A Igreja insiste em dizer que todos os cristãos, pela força do primeiro Batismo, são chamados a ser santos. Esta é a vocação à qual ninguém pode renunciar. Toda pessoa recebe de Deus uma missão, e para segui-la deve fazer um sério discernimento.

Uma coisa é o trabalho que desempenhamos para sobreviver e para ter o que comer, o que vestir, onde viver, e outra coisa é a vocação. A falta de discernimento provoca tantas tristezas na vida, seja no matrimônio, seja na vida religiosa, no sacerdócio, na vida de médico ou de pedreiro. Infelizmente, fala-se de discernimento só para a vida religiosa e sacerdotal e pouco do discernimento para as outras vocações.

Transformar o trabalho em vocação

Teresa do Menino Jesus, na História de uma Alma, manuscrito B, conta que se sentiu perdida, e não via claro o porquê de sua vocação, do seu chamado. Não desanimou e procurou buscar na Palavra de Deus uma resposta que lhe desse paz e sossego. Encontrou-a na Carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, capítulo 12: a Igreja é um corpo e se é um corpo, deve ter um coração e, então, encontrei a resposta para a minha vocação: ser o amor e sendo o amor vou conseguir realizar em mim todas as vocações.

É importante transformar o nosso trabalho em vocação. Pelo Batismo, em todos os trabalhos realizamos a nossa missão de evangelizadores. Somos missionários não porque somos consagrados na vida religiosa, ou em uma comunidade. O cristão jamais pode deixar de ser de Cristo e como tal anunciador do Evangelho.

Todas as vocações comportam momentos de imensa alegria e de grande sofrimento, a Cruz é o que consagra a nossa vocação.

Reunir o povo

Para compreender este texto do profeta Isaías, devemos ler todo o seu livro. Este profeta tem a vocação de reunir, de infundir esperança em todos os desanimados de Israel, mas esta vocação não é somente dele, mas também de cada um de nós. Devemos, pois, vivê-la com entusiasmo e com amor, mesmo quando a cruz se faz presente, ou quando somos rejeitados pelos que não creem.
Quem não constrói a unidade, a paz, a justiça, não pode ser de Deus. Na pessoa do profeta, é o mesmo Deus que vem, é Ele que reúne. São belíssimas as palavras com que se fecha este texto: “Escolherei dentre eles alguns para serem sacerdotes e levitas, diz o Senhor” (Is 66,21).

É no meio do povo que Deus escolhe os Seus sacerdotes, os Seus profetas, os Seus amigos. A pluralidade das vocações é uma riqueza que nos deixa de boca aberta. Seria muito triste um mundo onde todos tivessem a mesma vocação e exercitassem o mesmo trabalho. A diversidade é riqueza e devemos saber respeitá-la. A única vocação comum, mas também vivida da própria maneira e segundo o projeto de Deus, é a santidade. Ninguém é chamado para não ser santo.

A correção nunca é agradável

Gosto muito da Carta aos Hebreus, especialmente dos capítulos 11 e 12, nos quais encontro tanta bondade de Deus no cântico da fé. É belo ver como tantos de nossos irmãos, em todas as épocas, tiveram a capacidade de dar testemunho, com a própria vida, da própria fé. E o autor, no início do capítulo 12, nos recorda que não devemos desanimar, porque estamos circundados de pessoas que são corajosas e de fé, e o centro da nossa fé é a pessoa de Jesus, que é, ao mesmo tempo, autor da fé e Aquele que tem alimentado a própria vida com fé. Nada mais belo que ter fé, que não depende de nós, mas é um dom de Deus.

Mas o pequeno trecho de hoje da Carta aos Hebreus tem um sabor da ternura do Pai, que nos corrige com força e com amor. Nenhuma correção é agradável, sentimos vergonha, sentimos que somos humilhados pelos nosso erros, mas por que somos corrigidos? Porque Deus nos ama. Toda correção é sinal de amor, e não um prêmio. Qual é finalidade da correção? Ela nos redobra o entusiasmo e nos dá força no caminho. “Portanto, ‘firmai as mãos cansadas e os joelhos enfraquecidos; acertai os passos dos vossos pés’, para que não se extravie o que é manco, mas antes seja curado.” (Hb 12,12-13)

A porta é estreita

O Evangelho em plena sintonia com as outras leituras – que nos falam de correção e do sofrimento do povo que, por sua vez, deve se converter para poder ser o povo de Deus – nos fala que a porta para entrar e para construir o reino de Deus é estreita. Por que? Minha mãe Domenica dizia “não se vai ao paraíso de avião ou de carroça de luxo, mas a pé, com sacrifício e renúncia.” O paraíso é dom de Deus para aqueles que O amam, mas ao mesmo tempo é conquista, fruto da luta, e do autodomínio. Se descobrimos que somos pecadores, devemos nos converter, deixar o caminho do mal e tomar o do bem.

Diante da palavra de Deus de hoje, não é difícil compreender que, quando amamos de verdade, estamos dispostos a fazer todos os sacrifícios.

Não serve nos declararmos cristãos e não vivermos como cristãos. Jesus não nos reconhecerá como Seus discípulos. Poderemos bater à porta, mas ela não se abrirá. Poderemos chamar, mas não haverá resposta. Só o amor nos torna dignos do céu.

Escola de oração

“O mundano ignora, olha para o lado, quando há problemas de doença ou aflição na família ou ao seu redor. O mundo não quer chorar: prefere ignorar as situações dolorosas, cobri-las, escondê-las. Gastam-se muitas energias para escapar das situações onde está presente o sofrimento, julgando que é possível dissimular a realidade, onde nunca, nunca, pode faltar a cruz.” (Gaudete et Exsultate, 75)

A partir das palavras do Papa Francisco, vemos a necessidade cristã de não fechar os olhos para os problemas, de animar o irmão no sofrimento, sem dele fugir, de corrigir fraternalmente o nosso próximo, porque desejamos para nós e para a nossa família o céu. Sabemos, pois, que a porta é estreita e que o caminho até lá não é fácil, mas apoiados uns nos outros, alcançaremos a santidade.

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A passagem do Evangelho de São Marcos que nos recorda o martírio de São João Batista diz: “Imediatamente, mandou um carrasco cortar e trazer a cabeça de João. O carrasco foi e, lá na prisão, cortou-lhe a cabeça, trouxe-a num prato e deu à moça. E ela a entregou à sua mãe. Quando os discípulos de João ficaram sabendo, vieram e pegaram o corpo dele e o puseram numa sepultura” (Mac 6, 27-29).

João Batista é o único Santo que durante o ano litúrgico é celebrado no seu nascimento e na sua morte, respectivamente dia 24 de junho e 29 de agosto. João é primo de Jesus, concebido por Zacarias e Isabel quando já eram idosos, ambos descendentes de famílias sacerdotais. O seu nascimento é colocado cerca de seis meses antes do de Cristo, de acordo com o episódio evangélico da Visitação de Maria a Isabel. Enquanto que a data da morte ocorreu entre os anos 31 e 32, e remonta à dedicação de uma pequena basílica do século V no local do seu sepulcro.

Último profeta e primeiro apóstolo

Depois da juventude, João retirou-se em uma vida ascética no deserto. Andava com vestes de pele de camelo e se alimentava apenas de gafanhotos e mel silvestre. Perto do ano 28-29, durante o império de Tibério, iniciou sua vida pública e sua pregação, deslocando-se para as margens do rio Jordão. Começam a chamá-lo de Messias, mas ele adverte: O Messias já está entre eles e enquanto que ele, João, batiza com a água, Ele batizará com o Espírito Santo e fogo. João é apenas o Precursor de alguém que ele considera muito superior a si. Um dia este alguém, Jesus, apresenta-se a ele no Jordão para ser batizado. Inicialmente João recusa, mas depois obedece, porque ele, além de ser o último grande profeta do Antigo Testamento, é o primeiro apóstolo de Jesus que o seguirá até a morte, prefigurando com o próprio sofrimento e o próprio martírio, a Paixão de Jesus.

Uma lâmpada que arde e ilumina

João não é suave nas suas palavras. Tem recado para todos. Acusa os fariseus considerano-os hipócritas, além disso é repudiado pelos sacerdotes, porque com o seu batismo perdoa os pecados, tornando inúteis os sacrifícios para remissão que na época eram feitos no Templo.

Portanto é obvio que critique também a conduta do rei de Israel, Herodes Antipas, filho do Herodes autor do massacre dos inocentes, que mora com a esposa do irmão Felipe, Herodíades. Herodes, aprisiona João na fortaleza de Maqueronte, atual Jordânia, mas não o odeia: conversam muito e são discursos que o perturbam. Também teme que a sua morte possa causar uma rebelião no povo.

Na festa de aniversário de Herodes, a filha de Herondíades, Salomé, faz uma dança em honra do rei que fica fascinado e lhe concede como presente qualquer desejo seu, mesmo a metade do reino. Salomé, depois de falar com a mãe, pede a cabeça de João Batista. Herodes vacila, mas não pode recusar, pois tinha feito uma promessa. Assim João Batista morre, como mártir. Não um mártir da fé – porque não lhe foi pedido que a negasse – mas um mártir da verdade. Seja porque jamais a deixou de defendê-la, seja porque pela Verdade que é Jesus, ele viveu e morreu.

Fonte: https://www.vaticannews.va